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Carta para Mirtes Renata 

“Eu perdi meu único filho por falta de paciência, paciência que você não teve com meu filho e sempre tive com os seus”.

MÃE, não é só paciência é falta empatia, humanidade, integridade, honestidade, solidariedade. Essa UNIDADE é amor.

É também mais um tapa em nossa cara para mostrar que não evoluímos nada. Que estamos presos ao passado! É raiz, mãe, pois era só o filho da empregada que confiou o seu bem mais precioso a quem estava preocupada com sua aparência.

Mãe, não estamos preocupados com a tipificação de doloso, culposo ou se tem um documento que rege para manutenção de assegurar o desenvolvimento da igualdade e a preservação da vida, pois não consideramos o risco, mesmo que seja de uma criança de cinco anos. Ou tirar duas vidas, pois a sua agora perde um pouco de sentido também.

Não temos tempo para preocupar com esse norte que à carta nos oferece. Minhas 'unhas', são mais importantes. Pois, sou Patroa, Rainha da Moda', e não serei francesa guilhotinada. Tenho dinheiro e proteção.

Parece roteiro antigo das Casas Grandes e Senzalas no qual a filha da mucama era só um 'burrinho' para brincar de montaria enquanto o joelho se esfolava no assoalho até sangrar para criança branca se divertir.

 MÃE, NÃO ERA SÓ PACIÊNCIA .

Em tempo: quem acompanha a trajetória das desigualdades sabe que a morte como a do pequeno Miguel Otávio Santana da Silva, evidência o quanto precisamos evoluir. Um pergaminho envelhecido com tinta fresca escrito mais uma vez com muita dor.

 Por Lena Alves

 #justicapormiguel #desigualdadesocial #miguelotavio👼 #racismoestrutural

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