Pular para o conteúdo principal

Juiz Sérgio Moro determina prisão de condenados em segunda instância com base em decisão do STF que parece não ser mais de entendimento do ministro Gilmar Mendes


Gilmar Mendes e Sérgio Moro. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
A prisão determinada ontem pelo juiz Sérgio Moro ao empresário Márcio Andrade Bonilho e o aposentado Waldomiro de Oliveira (ambos condenados em segunda instância na Lava Jato), mostrou que foi a primeira vez que juiz federal determinou uma prisão com base em decisão do Supremo Tribunal Federal - de que condenado em segundo grau pode ter a pena executada. E esta base de entendimento pode não ser mais do ministro Gilmar Mendes.

Moro amparou sua decisão em uma ordem do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) para execução provisória da condenação de Bonilho e da condenação definitiva de Oliveira. A Polícia Federal cumpriu os dois mandados de prisão na tarde desta quarta-feira (23). De acordo com a sentença, eles deverão cumprir 11 anos e seis meses de prisão, em regime inicialmente fechado. As defesas ainda podem apresentar recursos contra a decisão do TRF-4, que poderá reverter ou não as condenações. 

Primeiros 
O aposentado e o empresário foram condenados pela Justiça Federal em abril de 2015 - na sentença que tinha além dos dois outras seis pessoas, como o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que respondeu por organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes ligados a desvios de recursos na construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. E o doleiro Alberto Youssef, apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos operadores do esquema e crimes de lavagem de dinheiro. 

Márcio Andrade Bonilho e Waldomiro de Oliveira, do Grupo Sanko Sider, receberam a punição de 11 anos e seis meses cada um, em regime fechado, por organização criminosa envolvendo a mesma refinaria, além de lavagem de dinheiro. A condenação deles e dos demais foi uma das primeiras no processo da Operação Lava Jato. 

A determinação de prisão após segunda instância do titular da 13ª Vara Federal, proferida ontem , de que condenado em segundo grau pode ter a pena executada, com base em decisão do STF, também evidenciou uma certa oposição entre o juiz Sérgio Moro e ao ministro do Supremo, Gilmar Mendes, do entendimento de ambos com o STF. Ou uma mudança de pensamento do ministro com com essa questão. E que nessa terça-feira ( 22), o ministro adotou uma medida contrária a de Moro concedendo habeas corpus de um condenado que está na mesma situação, sinalizando mudança, como pontuou o blog de Flávio Macedo. 

No ano passado, o ministro Gilmar Mendes, votou a favor da possibilidade de execução da pena após condenação em segunda instância, destacou o blog do Estadão, e que entediamento do ministro poderia ter mudado em maio deste ano, já defendendo uma rediscussão. 





*Com G1 e Estadão







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Decisão do STF sobre Ficha Limpa pode cassar mandatos de prefeitos e deputados

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que validou hoje (4) a aplicação da Lei da Ficha Limpa para casos anteriores a 2010 pode provocar a cassação do mandato de centenas de vereadores, pelo menos 20 prefeitos, além de deputados estaduais e federais. Ainda não há um levantamento oficial da Justiça Eleitoral sobre a situação dos eleitos, mas os números foram citados pelo ministro Ricardo Lewandowski durante o julgamento. Diante da situação provocada pela decisão, o alcance do resultado do julgamento deve ser discutido pela Corte na sessão desta quinta-feira (5), motivada pela preocupação do ministro, que proferiu um dos votos contrários a aplicação retroativa. “Fui informado por um grupo de parlamentares que centenas de vereadores já no exercício do mandato, cerca de 20 prefeitos na mesma situação, alguns deputados federais, incontáveis estaduais podem ter os seus mandatos cassados por esta decisão retroativa, afetando inclusive o coeficiente eleitoral”, disse o ministro. Com a de...

Fachin pede que PGR faça ajustes em pedido de delação premiada de Funaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin devolveu hoje (30) para a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido de homologação da delação premiada do empresário Lúcio Funaro. Fachin pediu que ajustes sejam feitos no acordo, que chegou nessa terça-feira (29) à Corte. Como o acordo está em segredo de Justiça, os detalhes da decisão não foram divulgados. Funaro é processado pela Justiça Federal em Brasília em três investigações da Polícia Federal (PF) – Greenfield, Sépsis e a Cui Bono – que envolvem suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes na administração de quatro dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do país: Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). O empresário também foi citado nas delações da JBS. Ele é testemunha-chave em processos que envolvem o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. Fonte: Agência Brasil ...