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A falta de políticas públicas e as desigualdades ajudam também muitos Antônios a subirem os morros e voltarem como um 'Nem'; vivo ou morto

Reprodução/El País

A matéria é de 2016 e tem como base um personagem da vida real. Ou, vários deles. Está no livro contando a história de um traficante que retrata também como o tráfico abraça aqueles que estão em vulnerabilidade e todos os demais que não têm perspectiva e oportunidade. Podemos inserir neste mundo duas características da sociologia: a coercitividade e exterioridade que é praticada no mundo do tráfico muito bem. E com a ausência de políticas públicas e educação a 'influência coercitiva' se prolifera. 

A história do Antônio o 'Nem da Rocinha' se confunde com a de tantos jovens que se perdem no mundo do tráfico pelas mazelas da estratificação social. Fenômeno de várias proeminências. Não se faz aqui uma justificativa da escolha errada. Mas sim, a de como as provocações do cotidiano desses jovens no convite diário para trilhar esse caminho fatal, têm empurrões cada vez mais fortes. Os números estão aí para contextualizar. Os fatos sociais deste século justificam então o parágrafo acima.

Estava lendo um livro em que Emile Durkheim, considerado o pai da sociologia, afirmando em sua tese que "quando uma pessoa nasce ela já encontra fatos sociais estabelecidos coletivamente, que a seguirão pela vida e que a manterão depois de sua morte". O que ele chamou de consciência coletiva, formada por ideias e espalhada na sociedade como um todo. Que se manifesta através da cooperação e a divisão do trabalho social. O que constituí uma consciência de sociedade que acaba por definir nossa conduta. Para Durkheim, é essa consciência coletiva que vai impor as regras sociais que precisarão ser obedecidas por cada indivíduo. Ou seja, as normas de comportamentos que regem a vida de todos. É assim também dentro de um morro. O livro: Abusado de Caco Barcelos retrata bem isso. Durkheim dizia que a sociedade molda o homem. Quando escreveu essa tese estava na segunda metade do século XlX, quando a Europa e a França viviam grandes conflitos sociais. O que descrevi está no livro a (sociologia para jovens do século XXI), que fala da preocupação dele já naquele época com a estabilidade social. 

Os mecanismos de funcionamento da sociedade em boa parte do mundo só pioraram quando o assunto envolvem histórias de jovens com a do Nem da Rocinha. Vi uma reportagem de como o morro da Rocinha se formou, com um índice baixíssimo de violência e tráfico de drogas. A polícia entrava a pé e fazia seu patrulhamento com sucesso por lá. Mas sabemos bem  a origem dos 'morros' pelo Brasil começando pelo tráfico negreiro se consolidando com 'boom' do capitalismo. 

E continua. ...
Falar desse tema de que a sociedade esta na cabeça de cada um, me fez lembrar também de um pedido que fiz aqui nas redes sociais para um jovem que estava saindo de um abrigo, por completar 18 anos e precisava muito de um emprego. Poucos se importaram. Graças a Deus esse adolescente conseguiu o trabalho é trilha o caminho certo -- que mesmo com todas dificuldades está permitindo a ele caminhar para a fase adulta. Não sei se ele conseguirá permanecer no caminho correto. Acompanhando de perto e espero e torço muito que sim.
Vejo a educação como um caminho mais curto para se recuperar de tanta desigualdade.Uma esperança de dias melhores que infelizmente não vai de encontro com que que prega a meritocracia. Sei que assim como o o adolescente que saiu do abrigo como os que vivem nos morros, possuem sua independência como indivíduo e que os fatos sociais são comuns a eles e a todos nós. Mas, tanto dele como a do Antônio que subiu o morro e voltou como 'Nem da Rocinha' serve como um bom exemplo do papel de cada um na formação daqueles que estão por vir. Que estão aí, com os procurando uma direção. E que se nada for feito -- mesmo que em porções pequenas, o tráfico vai abraçar e fazer. O preço?

Veja a matéria usada na reprodução da foto e citada neste artigo no link



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