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Delatores do grupo J&F depoem na PGR em Brasília após polêmica do áudio




Durou cerca de três horas, na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, o depoimento do executivo do grupo J&F, Joesley Batista. Ricardo Ricardo Saud, outro executivo da holding, segue sendo ouvido. As explicações vêm dois dias após a divulgação de um áudio que estava no gravador de Joesley, em conversa dos dois executivos que pode comprometer os benefícios das delações dos executivos que levantou suspeita na composição para negociação no Ministério Público Federal e suspeita de ajuda do ex-procurador da Procuradoria-Geral da República, Marcelo Miller.

Os três delatores chegaram por volta das 10 da manhã desta quinta-feira (7), ao aeroporto internacional de Brasília, em um jatinho particular para prestar depoimento. A responsável por ouvi-los foi a subprocuradora Cláudia Sampaio.
O advogado da empresa, Francisco de Assis, que também é delator, foi o primeiro a chegar e a depor. Ele foi o único a ser visto entrando na PGR. A assessoria da J&F, chegou a informar que nenhum deles falaria com á imprensa.

Batista, Assis e Saud, foram convocados para esclarecer o teor das conversas gravadas em novo áudio entregue à PGR na última semana. De acordo com a Procuradoria, os três são suspeitos de ocultar informações no processo de colaboração.

Em gravação entregue pela própria empresa aos investigadores no dia 31 de agosto, Joesley e Saud falam de suposta influência do ex-procurador Marcelo Miller na negociação da delação e citam os nomes de Janot, de outros procuradores e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).



Nos diálogos, os executivos citam políticos, ex-ministros e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles também chegam a afirmar que o ex-procurador participou do acordo de delação, atuou para beneficiar os executivos. A PGR quer saber agora se Miller atuou como agente duplo. O depoimento do ex- procurador está marcado para amanhã (8).Após receber os áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou investigação para apurar as suspeitas e anunciou que reveria o acordo de delação premiada assinado com os executivos.


Uma das possibilidades é que, após ouvir os executivos, Janot que acompanha de longe os depoimentos, suspenda os benefícios da delação premiada. Entre os principais benefícios, é que eles não seriam indiciados criminalmente pelos crimes relatados. O procurador-geral  pode pedir também a prisão dos delatores se entender que eles mentiram na delação. Em coletiva de imprensa no início da semana, Janot afirmou que, mesmo cancelado o acordo, as provas obtidas não perderia a validade.
A tese foi rebatida pelo advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz. A decisão final da validade das provas deve ficar com o Supremo Tribunal Federal.





Com: Agência Brasil

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